
Berço da civilização egípcia, o Rio Nilo foi durante muito tempo venerado pelas suas inundações regulares que irrigam os 6.671 km do seu percurso. Da África ao Mediterrâneo as actividades agrícolas estabeleceram-se, e os seus benefícios modelaram significativamente a história do Egipto.
O Nilo cruza no seu trajecto as principais cidades e os locais mais prestigiosos do país dos faraós: Assuão, Luxor, Karnak, mas também Saqqara, O Cairo e Alexandria num vale excepcionalmente fértil às portas do deserto.
A agricultura do Antigo Egipto estava ligada às providenciais inundações do Nilo. O ciclo agrícola era constituído por três estações: Anket, a estação das inundações que começava a 19 de Julho; Perit, a estação da aratura e da sementeira que começava a 15 de Novembro; Shemu, a estação da colheita que começava a 16 de Março.
Durante os quatro meses em que a cheia do Nilo cobria os terrenos, os agricultores tinham que garantir a manutenção dos canais que distribuíam a água aos vários lotes. Uma vez que o rio voltava ao seu leito, enquanto o terreno ainda estava macio era necessário proceder à aradura e à sementeira. Os egípcios tinham um arado bastante leve, com uma grelha de madeira, sendo puxado por uma junta de bois enquanto os camponeses espalhavam a semente. Também se soltavam os rebanhos pelos terrenos e estes, com os seus cascos enterravam as sementes.
A estação mais difícil era a da colheita. Ceifava-se o trigo com foices de madeira e lâminas de sílica. As espigas eram colocadas em redes e depois transportadas por burros para a eira. Aí eram colocadas em montes para serem calcadas por burros e bois. O grão era depois levantado no ar com pás e forquilhas de madeira para que o vento separasse as sementes da palha. Por fim, era medido, ensacado e colocado nos celeiros.
Também a vinicultura estava bastante desenvolvida desde a época antiga. As uvas eram recolhidas à mão e os cachos colocados em tinas onde eram pisados com os pés para fazer sair o mosto; este fervia em recipientes especiais onde era conservado até ao fim da fermentação.
A Importância do Rio Nilo no desenvolvimento do Egipto
O território do Egipto fica no Nordeste de África, ocupando o vale do Nilo, entre os desertos da Arábia e da Líbia. É o Rio Nilo, com as suas cheias periódicas e constantes, que alagam as margens numa vasta extensão, que fertiliza esta zona, além de servir de via de comunicação. Para melhor aproveitar o dom do Nilo, os Egípcios construíram diques e canais. Estas condições favoráveis à agricultura propiciaram que aqui surgisse, por 3500 a. C., uma nova civilização agrária, em que se cultiva o trigo, a cevada, o milho-miúdo, o linho, a vinha, os legumes, a oliveira, o papiro, além de também se dedicarem à criação de gado. Com o desenvolvimento da agricultura foram crescendo os excedentes, o que veio fomentar o comércio com os vizinhos. A madeira e os metais eram os principais objectos de troca. O Rio Nilo era a principal via de comunicação com o exterior. Paralelamente à actividade agrícola também surgiu uma certa actividade artesanal, principalmente na região do delta, sobretudo ourivesaria, tecelagem, olaria e metalurgia.
O Nilo cruza no seu trajecto as principais cidades e os locais mais prestigiosos do país dos faraós: Assuão, Luxor, Karnak, mas também Saqqara, O Cairo e Alexandria num vale excepcionalmente fértil às portas do deserto.
A agricultura do Antigo Egipto estava ligada às providenciais inundações do Nilo. O ciclo agrícola era constituído por três estações: Anket, a estação das inundações que começava a 19 de Julho; Perit, a estação da aratura e da sementeira que começava a 15 de Novembro; Shemu, a estação da colheita que começava a 16 de Março.
Durante os quatro meses em que a cheia do Nilo cobria os terrenos, os agricultores tinham que garantir a manutenção dos canais que distribuíam a água aos vários lotes. Uma vez que o rio voltava ao seu leito, enquanto o terreno ainda estava macio era necessário proceder à aradura e à sementeira. Os egípcios tinham um arado bastante leve, com uma grelha de madeira, sendo puxado por uma junta de bois enquanto os camponeses espalhavam a semente. Também se soltavam os rebanhos pelos terrenos e estes, com os seus cascos enterravam as sementes.
A estação mais difícil era a da colheita. Ceifava-se o trigo com foices de madeira e lâminas de sílica. As espigas eram colocadas em redes e depois transportadas por burros para a eira. Aí eram colocadas em montes para serem calcadas por burros e bois. O grão era depois levantado no ar com pás e forquilhas de madeira para que o vento separasse as sementes da palha. Por fim, era medido, ensacado e colocado nos celeiros.
Também a vinicultura estava bastante desenvolvida desde a época antiga. As uvas eram recolhidas à mão e os cachos colocados em tinas onde eram pisados com os pés para fazer sair o mosto; este fervia em recipientes especiais onde era conservado até ao fim da fermentação.
A Importância do Rio Nilo no desenvolvimento do Egipto
O território do Egipto fica no Nordeste de África, ocupando o vale do Nilo, entre os desertos da Arábia e da Líbia. É o Rio Nilo, com as suas cheias periódicas e constantes, que alagam as margens numa vasta extensão, que fertiliza esta zona, além de servir de via de comunicação. Para melhor aproveitar o dom do Nilo, os Egípcios construíram diques e canais. Estas condições favoráveis à agricultura propiciaram que aqui surgisse, por 3500 a. C., uma nova civilização agrária, em que se cultiva o trigo, a cevada, o milho-miúdo, o linho, a vinha, os legumes, a oliveira, o papiro, além de também se dedicarem à criação de gado. Com o desenvolvimento da agricultura foram crescendo os excedentes, o que veio fomentar o comércio com os vizinhos. A madeira e os metais eram os principais objectos de troca. O Rio Nilo era a principal via de comunicação com o exterior. Paralelamente à actividade agrícola também surgiu uma certa actividade artesanal, principalmente na região do delta, sobretudo ourivesaria, tecelagem, olaria e metalurgia.
1. Egipto – A Grande Civilização do Nilo
O Egipto é a mais característica das civilizações dos grandes rios e, também, uma das mais antigas, pois remonta ao 4 milénio a.C. Situado no nordeste de África, o Egipto antigo era um vasto território predominantemente desértico, cortado por um estreito e fértil vale cavado pelas águas do rio Nilo. Distinguiam-se duas regiões, nomeadamente, a do Vale, a sul (Alto Egipto), formada por uma faixa de terra apertada entre os desertos, e a do Delta, a norte (Baixo Egipto), de solo muito fértil e ricas planícies.
A situação geográfica do Egipto permitiu-lhe dispor de grandes recursos naturais: as montanhas, que o rodeiam, eram ricas em pedra e metais; no vale floresciam a tamareira e o sicômoro; nos pântanos crescia o papiro e nas zonas menos húmidas abundava a vinha e a palmeira. O rio Nilo, por sua vez, onde viviam muitos animais, punha o Egipto em contacto com o Mediterrâneo, a principal via de comércio da Antiguidade.
O rio Nilo teve um papel decisivo no desenvolvimento do Egipto. Com efeito, de Julho a Outubro (quando as colheitas já estavam feitas), as águas do rio inundavam as margens e depositavam uma camada de húmus (limo) que tornava o solo altamente fértil. Para tirar o máximo proveito dessas condições naturais, construíam-se diques e canais. A partir de Janeiro, quando o rio voltava ao seu curso normal, a terra era lavrada e semeada. Então, graças à camada de lodo fértil que a cobria, produzia abundantes colheitas de cereais, legumes e vinho. A vida dos Egípcios girava em torno do ciclo das cheias e vazantes do rio Nilo.
2. Origem Etimológica da Palavra Nilo
Para alguns autores a palavra Nilo pode estar relacionada com o raiz semítica "nahal", que significa vale. Em árabe e hebraico, duas línguas semíticas, rio diz-se nahrun e nehar/neharot respectivamente. Contudo, duas outras línguas semíticas, o amárico e o Ge'ez usam palavras pouco semelhantes a "nahal" para se referirem a um rio (felege e wonz).
Independente das incertezas, a palavra Nilo deriva do latim Nilus que por sua vez deriva do grego Neilos. Os antigos Egípcios chamavam ao Nilo Aur ou Ar o que significa "negro", numa alusão à terra negra trazida pelo rio por altura das cheias.
3. Características Gerais do Rio Nilo
Rio de África, o Nilo é o maior do mundo em comprimento, com um curso de aproximadamente 6,690 km, aproximadamente, desde a sua nascente no Burundi, no Lago Vitória, toma o sentido norte até desaguar no mar Mediterrâneo. A sua bacia hidrográfica abrange cerca de 3 300 000 km2 e faz uma descarga de cerca de 3 milhões de litros de água por segundo.
O rio Nilo atravessa o Burundi, o Ruanda, o Uganda, o Sudão e o Egipto. O regime do Nilo varia conforme o clima das regiões que vai atravessando. Começa por ser um rio equatorial, de regime constante, alimentado por chuvas permanentes; depois, entra na região tropical do Sudão, onde recebe as águas do Bahr-el-Gasal e do Nilo Azul, que vem da Abissínia, e torna-se um rio tropical, com períodos alternados de cheias e de estiagem; por fim, atravessa o deserto do Sara, sem receber mais afluentes de monta, diminuindo sempre o seu caudal até desaguar no mar Mediterrâneo por um delta. O delta do Nilo localiza-se numa extensa planície aluvial que representa uma grande parte das terras férteis do Egipto. Este país é considerado como um oásis criado pelo Nilo. Cairo e o porto de Alexandria são as duas principais cidades banhadas pelo rio Nilo. Em Assuão, no Sul do Egipto, existe uma grande barragem.
4. O Dom do Nilo
Se o Egipto existe, deve-o a um rio. O historiador grego Heródoto escrevia, em 450 antes da nossa Era: “O Egipto é um Dom do Nilo”. Sem o Nilo, uma civilização tão avançada não teria podido desabrochar na Antiguidade, e o Estado actual não existiria.
Contudo, fora da planície que ladeia o rio, o país é árido, as terras cultivadas e habitadas não cobrem senão quatro por cento da superfície total do Egipto. Estas terras junto às margens assemelham-se, do Assuão ao Cairo, a um oásis mais natural, por locais, apenas com cem metros de Largura.
Noutros lugares, e em extensões de vários quilómetros lembram o interior do deserto sariano. O delta ao norte do Cairo. O rio divide-se aqui em braços múltiplos. Os homens já não vivem nas margens mas nos intervalos entre as zonas aquáticas. A região é fértil. Cultiva-se duas vezes mais no delta que entre o Cairo e Assuão.
O Nilo alimenta o Egipto e durante milhares de anos também determinou o ritmo anual. Na época do Solstício e Verão, as águas torrenciais aproximavam-se vindas do sul, chegando à embocadura um mês depois. Durante cerca de três meses o Nilo em enchente saía do leito, inundando a planície e o delta. Seguia-se a estação das sementeiras e das plantações, e depois vinha o tempo das colheitas.
De Janeiro a Abril os frutos e cereais amadureciam, e depois vinha o tempo das colheitas.
Para tirar o melhor partido das cheias, os Egípcios criaram um sistema sofisticado de canais e de campos em socalcos.
O Nilo não irrigava apenas os solos sedentos. Lavava-os também do sal que os impregnava. Ele arrastava os resíduos. Trazia em si um lado rico em minerais, que enegrecia a terra e a tornava fecunda. Kemet: Terra negra. Kemet é também o nome que os egípcios tinham dado ao seu país.
Praticamente nunca chove no Sul, e sendo as precipitações insignificantes na região do delta, a colheita dependia unicamente das cheias estivais: se eram propícias, o Egipto produzia trigo em abundância, podia armazenar reservas e exportar. Em contrapartida, excesso ou insuficiência de água durante vários anos seguidos eram fome garantida.
Os Egípcios não viviam só junto ao Nilo. Eles viviam com ele. As cheias anuais eram de longe o acontecimento de maior importância na sua existência material. Cada mês a altura da água era medida pelo menos em vinte locais.
Ainda hoje se podem descobrir alguns nilómetros de poços com escadas dotadas de marcas. Os resultados visavam prognosticar o volume das colheitas, e também, pensava-se calcular os impostos anuais.
A situação mudou depois de posta em prática a barragem próxima do Assuão – a primeira em 1902, a segunda e mais alta, em 1971. A irrigação é regular todo o ano, as regiões cultivadas podem ser mais extensas, as colheitas são números, e a central hidroeléctrica que liga a alta “couple” da barragem de Assuão produz um quarto da electricidade necessária ao país. Mas há uma sombra no quadro, visto que sais minerais contidos nas águas retidas no Lago Nasser se depositam no fundo da bacia, e os campos, outrora naturalmente abudadas, são-no agora com a ajuda de produtos químicos. Além disso, a água, liberta dos aluviões, corre rapidamente e arranca as consolidações construídas sobre as margens. O nível do lençol freático sobe e ameaça as antigas construções. Parece agora que essas intervenções tão pesadas no ecossistema geram tantas vantagens como desvantagens.
Os antigos egípcios não conheciam as causas das inundações. Heródoto refere:” Não consegui aprender nada da natureza do Nilo, nem dos sacerdotes nem do que quer que seja. Gostaria de saber por que razão sobem as águas do Nilo. Nenhum egípcio me pôde responder quando eu perguntava por que fazia o Nilo o contrário de todos os outros rios”. Quer dizer por que é que as águas aumentam no Verão e não depois da fusão das neves. Foi preciso esperar até ao século XIX para que os exploradores penetrassem nas fontes e descobrissem que o Nilo, que se estende por seis mil e setenta quilómetros, é um dos rios mais extensos do planeta. Nasce do Nilo Azul, vindo do elevado planalto etíope, e do Nilo Branco, que recebe a sua nascente ao sul do Sudão numa região que se prolonga até ao Lago Vitória. Estes rios são alimentados por precipitações normais da cintura tropical e das chuvas de monções violentas da Etiópia.
5. Nilo – A Artéria Vital
Na Antiguidade, o Nilo regia o ritmo das estações de alimentação e também a circulação. Era a principal via de transporte, quer se tratasse de pessoas ou de materiais. Para erguer grandes edifícios como as pirâmides, os Egípcios começavam por cavar um canal de obras de construção.
Sobre o plano de circulação, formavam aquilo a que hoje chamaríamos uma sociedade fluvial. Elaboravam um número elevado de tipos de embarcações, feitas na maioria das vezes por hastes e papiros em molhos, mas não possuíam veículos transportes rasteiros. Adoptaram entre 1650 e 1550 antes da nossa Era, o ligeiro carro de caça e de guerra, atrelados a cavalos, dos Hicsos – invasores asiáticos – e continuaram, entretanto, a transportar materiais às costas de burros, ou sobre carros de rojo, puxados por bois ou por homens. Parece que o rio era verdadeiramente escurecido pelos antigos Egípcios, o que explicaria o seu menosprezo pela estrada como meio de transporte.
O Nilo uniu as diferentes regiões deste país, com mais de mil e duzentos quilómetros de comprimento. Divide-se também em duas zonas, ocidental e oriental, com características diferentes, nomeadamente, o sol nasce a Leste, e esta região é considerada o Império dos Vivos. Põe-se a Oeste, e daí resulta o Império dos Mortos. Esta diferenciação não era sempre estritamente observada, mas nota-se ainda de maneira impressionante em Tebas (hoje Lucsor), antiga capital. Se as moradas dos vivos se encontravam na margem oriental, os túmulos dos reis, das rainhas e dos altos dignatários foram todos edificados a oeste da cidade; foi aqui, debruando o deserto, que todos os membros do escol dirigente mandaram construir as suas “moradas de eternidade”.
6. A influência do Nilo na economia Egípcia
O rio Nilo fornecia a alimentação, a maior parte da riqueza e determinava a distribuição do trabalho das massas camponesas nas aldeias. Durante a inundação (Julho /Outubro), com os campos alagados, os homens transportavam pedras para as obras de construção dos faraós, escavavam poços e trabalhavam nas actividades artesanais. Na vazante (Novembro / Fevereiro), com o reaparecimento da terra cultivável, captavam as águas e semeavam. Com a estiagem (Março / Junho), colhiam e debulhavam os cereais. A alimentação era complementada pela pesca e pela caça realizada nos pântanos do Delta do Nilo. A agricultura produzia cevada, trigo, legumes, frutas, uvas e linho.
Os egípcios também praticavam o comércio de mercadorias e o artesanato. Os trabalhadores rurais eram constantemente convocados pelo faraó para prestarem algum tipo de trabalho em obras públicas (canais de irrigação, pirâmides, templos, diques).
Como a região era desértica, o rio Nilo ganhou uma extrema importância para os egípcios. O rio era utilizado como via de transporte (através de barcos) de mercadorias e pessoas. As águas do rio Nilo também eram utilizadas para beber, pescar e fertilizar as margens, nas épocas de cheias, favorecendo a agricultura. Desenvolveram técnicas de irrigação e construção de barcos. Com a unificação, a propriedade da terra passou dos clãs ao faraó, aos nobres e aos sacerdotes. Os membros dos clãs foram transformados em servos, que trabalhavam nas minas, na construção de palácios, templos e monumentais pirâmides de pedra (túmulos dos faraós).
7. O Rio dos Deuses
Se o Egipto é um Dom do Nilo, o Nilo era um presente dos deuses para os antigos egípcios. Eles davam-lhe água – ou privavam-no dela -, e um dos deveres do farão era velar para que as divindades fluviais se mostrassem benevolentes. Assim, o poder real e o divino eram estreitamente unidos. O deus era facilmente assimilado às águas do rio.
A palavra Hápi é no seu sentido muito significativa, pois caracteriza, simultaneamente, o Nilo, a água das cheias e o deus do Nilo.
No Assuão, falava-se também das divindades fluviais bojudas, Krophi e Mophi: agachadas sob os rochedos, fazem mover esta água vinda de Nun, o primitivo oceano subterrâneo que gerou o universo e sobre o qual o mundo visível flutua em qualquer condição. Os antigos Egípcios acreditavam que o Nilo regressava à água original e daí saía num ciclo eterno. “Salve, Nilo, Tu que nasces da Terra e retornas para vivificar o Egipto”.
Este rio omnipresente não é só a forma de vida terrestre dos Egípcios, mas também a sua concepção do mundo: era numa barca que o deus do sol passava no céu e, à noite, atravessava as águas do mundo para se dirigir de novo ao Nascente. Da mesma maneira, as estátuas que os sacerdotes transportavam durante as procissões solenes eram assentes nessas barcas como se elas se deslocassem sobre o rio. Depositava-se no túmulo, ao lado dos mortos, as sandálias – á sua medida – e as barcas para que pudessem circular sobre as vias perigosas do mundo subterrâneo: modelos de embarcações em miniatura, de madeira ou de terracota, munidas muitas vezes de remadores, ou então em tamanho natural, como aqueles que foram descobertas junto à pirâmide de Quéops.
Em 1954, tornou-se conhecido, ao lado desta pirâmide, o primeiro de cinco compartimentos onde estavam encerradas barcas. Continha todos os elementos desmontados de um barco a remos, de quarenta e três metros de comprimento, apto a navegar. A madeira mais vulgarmente utilizada era cedro do Líbano, visto que as palmeiras do vale do Nilo eram pouco indicadas para a construção naval. As pranchas eram sustidas por cabos. Estas e as telas destinadas a cobrir as cabinas encontravam-se igualmente dentro do compartimento. Hoje, esta embarcação, mais de quatro vezes milenária e perfeitamente operacional, tem nele o seu museu, directamente por baixo do local onde foi descoberta. Testemunha técnicas de construção naval dos antigos egípcios e a influência do Nilo sobre a sua concepção de vida de além-túmulo.
O Nilo é um dos rios mais extensos do mundo, percorrendo 6.696km através do nordeste da África. Nasce perto da linha do Equador e corre para o norte, em direcção ao Mar Mediterrâneo. Recebendo as águas das chuvas que caem nas suas nascentes, localizadas na África Equatorial e na Etiópia, o rio Nilo provocava anualmente no Egipto uma inundação, entre Julho e Novembro, depositando sedimentos que tornavam as margens de terra extremamente férteis, muito propícias para os cultivos agrícolas.
Embora não ocorram mais as cheias naturais devida à barragem de Aswan, construída na década de 60, os camponeses do Egipto ainda hoje cultivam o solo aproveitando as águas do rio, que se mantém vital para a economia agrícola do país. Viajando pelo Nilo abaixo ainda podemos ver as plantações nos mesmos moldes que os antigos utilizavam. Alguns projectos de irrigação com bombas modernas auxiliam os agricultores locais a obterem melhores resultados de suas colheitas, permitindo que a área fértil de terra seja mais bem aproveitada.
O desenvolvimento e a riqueza do antigo Egipto baseiam-se, em boa medida, nas magníficas possibilidades que a sua situação geográfica lhe conferia. O Nilo serviu de via de comunicação e de elemento fertilizador graças às inundações periódicas das suas margens. Foi aproveitamento das cheias do Nilo que determinou a ocupação do Egipto por comunidades agrícolas (os nomos) desde pelo menos 6000 a.C. Já nesse momento firmaram-se as bases que por séculos acompanhariam todo o desenrolar da história egípcia antiga: prática da agricultura como eixo da vida económica e campesinato como maior parcela da sociedade. Das águas do Nilo também prosperam até hoje o cultivo de papiros e a olaria (fabricação de tijolos e potes de barro) que ainda são confeccionados no antigo estilo egípcio, feito a mão.
Os antigos egípcios denominavam o Nilo simplesmente de o rio. Carácter sagrado era porém relacionado às cheias, consideradas como a manifestação de um deus, Hâpi. No início da inundação era a ele dedicado um festival, momento em que se entoavam nos templos interessantes hinos, glorificando a prosperidade do país oriunda das cheias. O nível das inundações era minuciosamente registrado. Para fazer isso, construíam nos templos o que hoje os egiptólogos denominam de nilômetros. Uma vez determinado o nível da cheia do rio, era possível se prever o aproveitamento das terras cultiváveis, a quantidade de cereal produzido e os impostos que sobre ele incidiriam. Uma boa colheita dependia de uma cheia adequada: muito baixa significava carestia, muito alta, devastação.
Em geral o Nilo subia de 6 a 7metros, e o ciclo de suas inundações serviu de base para o calendário egípcio. Este compunha-se de três estações com 4 meses de trinta dias cada uma, totalizando 360 dias, aos quais se adicionavam outros 5 dias complementares: Akhit, época da inundação, entre Julho e Novembro; Peret, a chamada (saída) ou vazante do rio, com o reaparecimento da terra cultivável do seio das águas, época de semeadura, entre Novembro e Março; Shemu, a colheita, que acontecia de Março a Junho. O ano novo ocorria no dia 19 de Julho, início da inundação, correspondendo com o aparecimento no céu da estrela Sirius, chamada Seped em egípcio.
Um dos mitos egípcios da criação do mundo é o da chamada (colina primordial), sem dúvida produto da mente de humildes camponeses. Segundo esse mito, nada existia no mundo a não ser uma massa de água. Dessas (águas primordiais), chamada Nun, surgiu um montículo de terra, a (colina primordial), na qual apareceu um deus, Temu, que passou a criar todas as coisas. Ora, esse mito é claramente uma observação das cheias feita pelos camponeses, um acontecimento que poderia ser visto todos os anos ao longo do vale do Nilo: depois da inundação, ao início da vazante, montículos de terra das margens, em nível superior ao das águas do rio, começavam a aflorar; nitidamente essa terra (brotava) das águas, suscitando nos camponeses a ideia que o mundo todo teria se originado da mesma maneira. Alguns deuses foram então associados ao Nilo como o deus Hapi e também o Deus Khum o qual acreditava-se ter moldado os seres humanos com a lama do Nilo.
Embora não ocorram mais as cheias naturais devida à barragem de Aswan, construída na década de 60, os camponeses do Egipto ainda hoje cultivam o solo aproveitando as águas do rio, que se mantém vital para a economia agrícola do país. Viajando pelo Nilo abaixo ainda podemos ver as plantações nos mesmos moldes que os antigos utilizavam. Alguns projectos de irrigação com bombas modernas auxiliam os agricultores locais a obterem melhores resultados de suas colheitas, permitindo que a área fértil de terra seja mais bem aproveitada.
O desenvolvimento e a riqueza do antigo Egipto baseiam-se, em boa medida, nas magníficas possibilidades que a sua situação geográfica lhe conferia. O Nilo serviu de via de comunicação e de elemento fertilizador graças às inundações periódicas das suas margens. Foi aproveitamento das cheias do Nilo que determinou a ocupação do Egipto por comunidades agrícolas (os nomos) desde pelo menos 6000 a.C. Já nesse momento firmaram-se as bases que por séculos acompanhariam todo o desenrolar da história egípcia antiga: prática da agricultura como eixo da vida económica e campesinato como maior parcela da sociedade. Das águas do Nilo também prosperam até hoje o cultivo de papiros e a olaria (fabricação de tijolos e potes de barro) que ainda são confeccionados no antigo estilo egípcio, feito a mão.
Os antigos egípcios denominavam o Nilo simplesmente de o rio. Carácter sagrado era porém relacionado às cheias, consideradas como a manifestação de um deus, Hâpi. No início da inundação era a ele dedicado um festival, momento em que se entoavam nos templos interessantes hinos, glorificando a prosperidade do país oriunda das cheias. O nível das inundações era minuciosamente registrado. Para fazer isso, construíam nos templos o que hoje os egiptólogos denominam de nilômetros. Uma vez determinado o nível da cheia do rio, era possível se prever o aproveitamento das terras cultiváveis, a quantidade de cereal produzido e os impostos que sobre ele incidiriam. Uma boa colheita dependia de uma cheia adequada: muito baixa significava carestia, muito alta, devastação.
Em geral o Nilo subia de 6 a 7metros, e o ciclo de suas inundações serviu de base para o calendário egípcio. Este compunha-se de três estações com 4 meses de trinta dias cada uma, totalizando 360 dias, aos quais se adicionavam outros 5 dias complementares: Akhit, época da inundação, entre Julho e Novembro; Peret, a chamada (saída) ou vazante do rio, com o reaparecimento da terra cultivável do seio das águas, época de semeadura, entre Novembro e Março; Shemu, a colheita, que acontecia de Março a Junho. O ano novo ocorria no dia 19 de Julho, início da inundação, correspondendo com o aparecimento no céu da estrela Sirius, chamada Seped em egípcio.
Um dos mitos egípcios da criação do mundo é o da chamada (colina primordial), sem dúvida produto da mente de humildes camponeses. Segundo esse mito, nada existia no mundo a não ser uma massa de água. Dessas (águas primordiais), chamada Nun, surgiu um montículo de terra, a (colina primordial), na qual apareceu um deus, Temu, que passou a criar todas as coisas. Ora, esse mito é claramente uma observação das cheias feita pelos camponeses, um acontecimento que poderia ser visto todos os anos ao longo do vale do Nilo: depois da inundação, ao início da vazante, montículos de terra das margens, em nível superior ao das águas do rio, começavam a aflorar; nitidamente essa terra (brotava) das águas, suscitando nos camponeses a ideia que o mundo todo teria se originado da mesma maneira. Alguns deuses foram então associados ao Nilo como o deus Hapi e também o Deus Khum o qual acreditava-se ter moldado os seres humanos com a lama do Nilo.